A Norma Euro 7 - norma que regula a emissão de gases poluentes dos veículos novos - está prestes a revolucionar o setor automóvel em Portugal e traz consigo uma série de requisitos rigorosos e padrões avançados.

A Norma Euro 7 é uma regulamentação estabelecida pela União Europeia (UE) com o objetivo de definir os padrões de emissões e desempenho dos veículos automóveis. Esta estabelece critérios rigorosos que os fabricantes de automóveis devem seguir para garantir a redução da poluição atmosférica e a melhoria da qualidade do ar.
Esta norma, que irá regular as emissões poluentes dos automóveis, furgões comerciais e veículos pesados, camiões e autocarros, à venda nos países da União Europeia, representa um marco significativo na procura por um futuro mais sustentável e saudável. Com a sua aplicação a partir de 2024, espera-se uma redução significativa da poluição atmosférica e das emissões de gases nocivos antes de 2035, bem como uma melhoria na segurança dos veículos.
Uma das previsões relativas a esta norma, foca-se na redução de emissões de NOx: redução de 35% para veículos leves e 56% para veículos pesados até 2035. Adicionalmente, estima-se uma redução de 13% nas partículas para veículos leves e 39% para veículos pesados.
A Norma Euro 7 traz avanços significativos em relação à Norma Euro 6. As principais diferenças incluem limites mais rigorosos de emissões. Atualmente, sob a Norma Euro 6, os veículos são obrigados a cumprir as normas de emissões por um período de cinco anos ou 100.000 quilômetros. Com a introdução da nova norma Euro 7, esse prazo será estendido para dez anos ou 200.000 quilómetros, alinhando-se melhor com o ciclo de vida real dos veículos.
Uma novidade no Euro 7 é o controlo de outras emissões poluentes além das emitidas pelo sistema de escape. Em todos os tipos de veículos, as emissões de microplásticos dos pneus e partículas provenientes dos travões serão medidas, sendo necessário reduzi-las em 27%.
A Comissão Europeia assegurou que as tecnologias que devem ser incorporadas nos novos veículos terão um impacto mínimo no preço final. Estima-se um aumento de cerca de 90 a 150 euros nos veículos leves e 2.700 euros nos veículos pesados. Afirmaram ainda que, para cada euro gasto na integração dessas tecnologias, haverá um ganho de cinco euros para a saúde e o meio ambiente.

A Euro 7 proposta pela Comissão Europeia será submetida ao Parlamento Europeu e Conselho Europeu, tendo em vista a sua adoção como lei no futuro. Com esta implementação - estimada a ser aplicada a partir de 2024 -, a União Europeia tem no seu plano a redução das emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) até um terço até 2035. É importante ressaltar que, embora a venda de carros a combustão seja proibida a partir dessa data, estima-se que em 2050 ainda haverá 20% de veículos leves e 50% de veículos pesados com motores de combustão em circulação, segundo a Comissão Europeia.
Para garantir a conformidade com a norma, a Euro 7 estabelece que todos os veículos a combustão devem cumprir os limites de emissões durante sua vida útil, que é estendida para 200.000 km ou 10 anos, o dobro do período estabelecido pela norma Euro 6.
Para garantir maior representatividade dos resultados dos testes, todos os veículos serão submetidos a protocolos de testes de emissões em condições reais de condução, conhecidos como Real Driving Emissions (RDE). Isso proporcionará uma avaliação mais precisa das emissões durante a condução real.
A Norma Euro 7 trará diversos impactos e benefícios significativos na indústria automóvel, no meio ambiente e na sociedade como um todo:
De acordo com a União Europeia, a exposição prolongada à poluição de partículas resultou em 70 mil mortes prematuras e 300 mil mortes relacionadas à poluição. Aqueles que vivem nas grandes cidades estão mais expostos, uma vez que o tráfego rodoviário é responsável por 47% das emissões de NOx nas áreas urbanas. Portanto, de acordo com a União Europeia, o Euro 7 traz benefícios aos europeus ao melhorar drasticamente a qualidade do ar até 2050, uma vez que a presença de veículos com motores de combustão ainda será predominante nas estradas nesse período. Essa é a razão pela qual a Norma Euro 7 foi implementada.
Com a monitorização das emissões de travões e pneus promovida pela Norma Euro 7, as empresas envolvidas nesse setor serão capazes de planear investimentos em novas tecnologias, o que inevitavelmente resultará em aumento de preços e margens de lucro.
Estando o futuro do planeta em jogo, não podemos propriamente classificar como "perdedores”, mas digamos que um dos principais prejudicados pela aplicação da Norma, são os fabricantes de veículos, mais especificamente os fabricantes de veículos pesados.
Embora seja verdade que novos regulamentos resultem num aumento de custos e no desenvolvimento caro de novas tecnologias, a norma Euro 7 acaba por ser um golpe mais duro nos motores a diesel, que já estão em declínio significativo, favorecendo os motores a gasolina. Os fabricantes já haviam simplificado sua oferta de motores e reduzido o desenvolvimento nessa área.
No entanto, os segmentos de veículos de porte menor (segmentos A e B) serão afetados, e já é sabido que os principais grupos europeus, como a Volkswagen e a Stellantis, enfrentarão dificuldades. Segundo relatos da Automobile News Europe, a Morgan Stanley prevê que o Grupo Volkswagen terá um custo de conformidade com a norma Euro 7 de 400 milhões de euros, enquanto a Stellantis enfrentará um custo de mais de 350 milhões.
Do lado dos fabricantes de veículos pesados, a redução dos limites de emissões em 78%, de 400 mg/km para 90 mg/km de NOx, torna-se mais gritante. Para que os modelos existentes estejam em conformidade com o Euro 7, serão necessários gastos adicionais de 2.700 euros por veículo.
Ao estabelecer limites mais rigorosos para as emissões de veículos, especialmente no que diz respeito ao controlo de partículas provenientes de pneus e travões, espera-se uma diminuição substancial dos impactos ambientais e dos riscos à saúde humana. Embora esta norma traga benefícios claros em termos de qualidade do ar, também implica desafios para a indústria automóvel, especialmente para os fabricantes de veículos a diesel e pesados, que precisarão se adaptar e investir em tecnologias mais limpas.
No entanto, a implementação da norma é crucial para alcançar uma transição gradual e sustentável para uma frota de veículos mais ambientalmente amigável, contribuindo para um futuro mais limpo e saudável.
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