Combustível low-cost: mito ou realidade?
Durante muitos anos, os combustíveis low-cost foram vistos com alguma desconfiança. Como eram mais baratos, instalou-se a ideia de que poderiam ser de menor qualidade e até prejudicar o motor do carro.
Mas será mesmo assim?
Hoje sabe-se que a realidade é mais equilibrada. Os combustíveis vendidos em Portugal, independentemente da marca, têm de cumprir normas europeias e nacionais de qualidade. Isso significa que, à partida, qualquer combustível comercializado legalmente deve garantir o funcionamento seguro do motor.
Ainda assim, há diferenças entre os combustíveis low-cost e os combustíveis de marca. A principal não está na qualidade base, mas sim na composição e nos aditivos utilizados.
Qual é a diferença entre o combustível low-cost e o combustível convencional?
A diferença mais conhecida entre estes dois tipos de combustível está nos pacotes de aditivos utilizados.
Todos os combustíveis vendidos em Portugal têm de cumprir normas técnicas europeias e incluem aditivos base obrigatórios, que ajudam a garantir a estabilidade do combustível e a proteção contra corrosão.
Esses aditivos podem ter várias funções, como:
- Ajudar a manter o sistema de injeção mais limpo;
- Melhorar a lubrificação de alguns componentes do motor;
- Reduzir a formação de depósitos internos;
- Otimizar o processo de combustão.
Já os chamados combustíveis simples tendem a incluir apenas os aditivos necessários para cumprir os requisitos técnicos obrigatórios.
Mas isto não significa que sejam de má qualidade. Significa apenas que não incluem os pacotes adicionais de melhoradores utilizados por algumas marcas.
Também é importante lembrar que todos os combustíveis vendidos em Portugal são fiscalizados e têm de cumprir normas técnicas definidas pela legislação europeia.
Porque é que os combustíveis low-cost são mais baratos?

A diferença de preço não significa necessariamente menor qualidade. Na maioria dos casos, resulta sobretudo de modelos de negócio diferentes.
Os postos de combustível low-cost costumam ter:
- Menos serviços associados;
- Estruturas mais simples;
- Menos custos operacionais;
- Menor investimento em marketing e programas de fidelização.
Ao reduzir custos de funcionamento, conseguem praticar preços mais baixos na bomba.
Tem curiosidade sobre como se forma o preço final do combustível? Leia o nosso artigo sobre como é calculado o preço dos combustíveis.
O combustível low-cost pode prejudicar o carro?
Até hoje, não existem evidências claras de que o uso de combustíveis low-cost provoque danos diretos no motor quando estes cumprem as normas legais.
Como já referimos, todos os combustíveis vendidos em Portugal incluem aditivos base obrigatórios. O que pode variar entre marcas é a presença de pacotes adicionais de aditivos, desenvolvidos para ajudar a manter o sistema de injeção mais limpo, reduzir depósitos ou otimizar a combustão.
Alguns profissionais do setor automóvel defendem que esses aditivos adicionais podem trazer benefícios a longo prazo, sobretudo em motores mais modernos e tecnologicamente mais exigentes. No entanto, isso não significa que os combustíveis simples sejam prejudiciais para o motor.
Cada veículo pode reagir de forma ligeiramente diferente, por isso a recomendação mais segura continua a ser seguir as indicações do fabricante do veículo, normalmente presentes no manual.
O que dizem os estudos sobre combustíveis low-cost?
Ao longo dos anos, várias entidades analisaram a diferença entre combustíveis low-cost e combustíveis aditivados, e as conclusões nem sempre são exatamente as mesmas.
Um dos estudos mais conhecidos foi realizado pela DECO – Defesa do Consumidor, que testou quatro veículos iguais durante cerca de 12 mil quilómetros utilizando diferentes tipos de combustível. No final do teste, os motores foram desmontados para analisar possíveis diferenças no desgaste ou nos componentes. O resultado mostrou que não foram encontradas evidências de danos provocados pelos combustíveis low-cost, concluindo que estes cumprem as normas de qualidade exigidas e podem ser utilizados normalmente nos veículos.
No entanto, outras entidades do setor apresentam uma leitura mais cautelosa. A Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (ANERC) já afirmou que os combustíveis low-cost podem ter uma qualidade inferior devido à ausência de aditivos, defendendo que estes compostos podem ser benéficos sobretudo para motores mais modernos e tecnologicamente mais exigentes.
A EPCOL, antiga Associação de Empresas Petrolíferas (APETRO), tem uma posição mais equilibrada. Num comunicado divulgado em 2014, a associação distinguiu os combustíveis simples dos combustíveis aditivados, sem colocar em causa a conformidade dos primeiros. Ainda assim, destacou que os combustíveis premium se diferenciam pelo investimento em investigação e desenvolvimento que permite incorporar aditivos com funções específicas no desempenho e na proteção do motor.
No fundo, apesar de existirem diferentes opiniões dentro do setor, há um ponto comum: todos os combustíveis vendidos legalmente em Portugal têm de cumprir normas técnicas e de qualidade, garantindo o funcionamento adequado dos veículos.
O que diz a lei sobre os combustíveis em Portugal?
Independentemente da marca ou do preço, todos os combustíveis vendidos em Portugal têm de cumprir normas técnicas definidas pela legislação europeia (Diretiva 98/70/CE do Parlamento Europeu e do Conselho).
Segundo entidades reguladoras do setor energético, os combustíveis disponíveis no mercado nacional têm de respeitar características base obrigatórias, garantindo o funcionamento seguro dos motores.
Isso significa que, desde que abasteça num posto legalmente autorizado, o combustível terá de cumprir esses requisitos mínimos de qualidade.
Marcas de combustíveis low-cost em Portugal

Nos últimos anos, o número de operadores low-cost em Portugal tem aumentado. Muitos destes postos estão associados a supermercados ou a redes independentes.
Algumas das marcas mais conhecidas incluem:
Cada rede pode ter políticas próprias de preço, promoções ou programas de desconto associados a cartões de cliente.
Apps que ajudam a encontrar combustível mais barato
Se costuma procurar os postos mais económicos perto de si, existem várias aplicações que ajudam a comparar preços.
VivaGas
A app VivaGas permite saber os preços dos combustíveis dispersos pelos postos de abastecimento em Portugal, através do GPS do seu telemóvel. Esta app informa, ainda, sobre os horários dos postos de abastecimento de combustível. Recorrendo aos dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a VivaGas apresenta os valores dos combustíveis ordenados por um ranking de preços ou por distância, atribuindo desta forma, as respetivas classificações a cada um deles.
A app é gratuita e está disponível para Android e iOS.
MaisGasolina
Nesta aplicação, são os utilizadores a introduzir os valores praticados pelos diferentes postos. Desta forma, a MaisGasolina consegue fazer uma estimativa do preço médio dos combustíveis, de acordo com as informações que recebe.
Esta aplicação é gratuita e apenas está disponível para os sistemas Android. No entanto, quem tem iOS pode consultar a versão web online.
TuGas
A TuGas é uma app que mostra preços de combustível de cada posto de abastecimento de acordo com a sua localização, por proximidade. Esta aplicação foi desenvolvida por estudantes portugueses do Instituto Politécnico de Leiria e permite utilizar uma variedade de filtros que têm como intuito fazer com que os portugueses economizem um extra com cada depósito atestado.
A aplicação é gratuita e apenas está disponível para quem tem aparelhos com sistema operativo iOS.
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