Trocar para um elétrico é mais do que escolher um modelo giro e ligar o cabo. Para fazer uma boa compra, vale a pena olhar para quatro frentes: autonomia real, carregamento (em casa e na via pública), bateria (garantia e degradação) e incentivos fiscais/apoios.
Neste artigo encontra tudo o que precisa para comparar, calcular e escolher com segurança o seu primeiro (ou próximo) carro elétrico.

Os valores de autonomia que aparecem nas fichas técnicas seguem o ciclo WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure). É útil para comparar modelos, mas feito em condições padrão e pode divergir do uso diário. Em cidade, a autonomia tende a ser maior; em autoestrada e com frio, costuma baixar.
1. Pegue na autonomia WLTP e aplique um desconto consoante o seu padrão:
2. Verifique o tamanho da bateria (kWh) e a eficiência (kWh/100 km). Dois carros com a mesma bateria podem ter autonomias diferentes. Basta, terem pesos diferentes.
Se a rotina inclui 50 a 80 km diários e há carregamento noturno em casa, um elétrico com WLTP de 250 a 300 km chega para usar sem ansiedade. Se faz viagens longas frequentes, privilegie >400 km WLTP e boa potência de carga DC para encurtar paragens.
Quer saber quais são os modelos elétricos com maior autonomia? Veja o nosso ranking e compare as opções.
Escolher um carro elétrico implica também perceber onde vai carregá-lo, quanto tempo demora e quanto vai pagar por cada carga. É aqui que a rotina de cada condutor faz toda a diferença.
Instalar uma wallbox é a forma mais prática e previsível de carregar um elétrico.
Custo médio de carregamento doméstico
Dica: para garantir que o carregamento é seguro e rápido, verifique a instalação elétrica antes de adquirir a wallbox. O Fundo Ambiental comparticipa 80 % do custo de compra e instalação em condomínios.
A rede pública cresce todos os anos e já cobre praticamente todo o país. Existem três tipos principais de postos:
Tempo real de carga: depende sempre da menor potência entre o carro, o posto e o cabo, por isso, confirmar esse dado antes da compra é essencial.
Os preços variam por operador, tipo de posto e local. Além do custo por kWh, há taxas de sessão ou por minuto.
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Tipo de carregamento |
Energia reposta |
Custo total aprox. |
Custo por 100 km |
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Doméstico |
40 kWh |
6,80 € |
2,70 € |
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Público semirrápido |
40 kWh |
12,40 € |
4,80 € |
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Público rápido |
40 kWh |
18,65 € |
7,20 € |
Valores médios indicativos - use as suas tarifas reais para estimar com maior precisão.
Nem todos os carregamentos custam o mesmo e há, essencialmente, quatro fatores que fazem a diferença no valor final:
1. O preço do kWh. O custo da eletricidade varia consoante o contrato que tem em casa e o operador do posto público. Carregar com tarifa bi-horária durante a noite pode ser quase metade do preço de um posto rápido na autoestrada.
2. As taxas aplicadas nos postos públicos. Além do preço por kWh, os operadores costumam cobrar uma taxa por sessão ou por minuto ligado. Tal significa que deixar o carro ligado depois de atingir 100 % pode sair caro, especialmente em carregadores rápidos (DC).
3. A eficiência do carro. Nem todos os elétricos gastam o mesmo. Um carro mais pesado ou menos aerodinâmico consome mais kWh por cada 100 km, o que encarece o custo por viagem. Compare sempre o consumo médio (kWh/100 km) entre modelos (é o equivalente elétrico dos “litros aos 100”).
4. O tipo de carregamento. Carregar até 80 % é mais rápido e eficiente; os últimos 20 % da bateria demoram mais tempo e podem custar mais, sobretudo em postos públicos. Planear as cargas em viagens longas faz diferença na poupança e no tempo de espera.

A bateria é o coração de qualquer carro elétrico. E também o ponto que mais dúvidas levanta. Afinal, é ela que dita a autonomia, o desempenho e o valor do carro a longo prazo.
A boa notícia? As baterias atuais são muito mais duráveis do que se pensa. A maioria dos fabricantes oferece garantia de oito anos ou 160.000 km, assegurando que a bateria mantém pelo menos 70 % da capacidade nesse período. Em muitos casos, na prática, a perda é inferior a 2 % por ano.
Adicionalmente, quase todos os modelos têm sistemas de gestão térmica que controlam automaticamente a temperatura da bateria, evitando sobreaquecimentos e otimizando a eficiência - algo que não acontecia nas primeiras gerações de elétricos.
As candidaturas começaram a 31 de março de 2025, ficam abertas por 45 dias ou até se esgotar o orçamento (dotado com 13,5 M euros para 2025).
Para saber mais sobre os apoios à compra de carros elétricos, tanto para particulares como para empresas, leia o nosso artigo.
Escolher um carro elétrico pode ser mais simples se focar nos critérios certos:
Um dos grandes mitos sobre os carros elétricos é que “não precisam de manutenção”. É verdade que as revisões são mais simples e espaçadas, mas continuam a ser fundamentais para garantir segurança e eficiência.
Os elétricos não têm embraiagem, nem mudanças de óleo, filtros ou velas de ignição, o que reduz significativamente os custos de manutenção. Ainda assim, há componentes que exigem verificação periódica: sistema de travagem (apesar da travagem regenerativa, há desgaste), pneus, suspensão, filtros do habitáculo e software do sistema elétrico.
Em média, as revisões custam 20 a 30 % menos do que num carro a combustão e ocorrem normalmente a cada 30 000 km ou dois anos, dependendo do fabricante.
Os carros elétricos também têm de cumprir inspeções obrigatórias, tal como os restantes veículos. A diferença é que o foco está em componentes como travões, direção, luzes e estrutura, e não nas emissões.
Para saber quando e como é feita a inspeção num carro elétrico, leia o nosso artigo sobre inspeção periódica obrigatória em veículos elétricos.
Antes de fechar negócio, responda a estas perguntas. Se a maioria das respostas for “sim”, está no bom caminho para escolher o carro elétrico certo para si:
Se ainda não tem a certeza se um carro elétrico é o ideal para si, descubra as principais vantagens e desvantagens antes de tomar a decisão final.
Comprar um carro elétrico é mais do que uma mudança de motor: é uma nova forma de conduzir, poupar e pensar o dia a dia. Com as escolhas certas, o investimento compensa e a estrada fica mais sustentável para todos.