Os carros elétricos estão cada vez mais presentes nas estradas portuguesas e, com eles, também as dúvidas sobre preços, incentivos e o momento certo para comprar.
Afinal, quem anda a seguir o mercado sabe bem: os preços dos carros elétricos podem mudar de um mês para o outro, e as campanhas relâmpago ou os apoios do Estado podem fazer toda a diferença no bolso.
Se está a pensar trocar de carro ou dar o primeiro passo para a mobilidade elétrica, este artigo ajuda a perceber porque é que os preços oscilam tanto, como acompanhá-los em tempo real e que apoios pode aproveitar.

Nos últimos dois anos, o mercado dos carros elétricos em Portugal ficou mais competitivo do que nunca. Marcas como Tesla, BYD, MG, Renault e Peugeot entraram numa verdadeira “corrida de preços”, o que acabou por beneficiar quem está do lado da compra.
A Tesla foi a que mais deu nas vistas, com reduções significativas nos modelos Model 3 e Model Y, que chegaram a cair mais de 6.000 euros em 2023. A BYD e a MG seguiram a tendência, ajustando os preços para conquistar espaço no mercado europeu. Marcas tradicionais como Renault, Peugeot e Citroën também reforçaram campanhas e descontos temporários, sobretudo no final do ano, quando as marcas tentam atingir metas de vendas e libertar stock.
Estas descidas não acontecem por acaso. São resultado de fatores como:

Comprar um carro elétrico hoje pode custar menos (ou mais) do que daqui a um mês. As variações de preço não acontecem ao acaso: são influenciadas por vários fatores que vão desde as campanhas comerciais até à evolução tecnológica.
No setor automóvel, o stock disponível dita muitas vezes o preço final. Quando os concessionários têm veículos acumulados, sobretudo perto do final do trimestre ou do ano, é comum lançarem campanhas agressivas de desconto para atingir metas de vendas.
A juntar a isso, surgem também promoções relâmpago associadas a eventos, feiras ou fechos de trimestre, que podem representar reduções de milhares de euros. Por isso, vale a pena estar atento às comunicações das marcas e concessionários, especialmente entre novembro e fevereiro, quando as campanhas são mais fortes.
Os carros elétricos dependem fortemente do preço das matérias-primas como o lítio, níquel e cobalto, usados nas baterias. Quando o custo destas matérias sobe, o preço final do veículo tende a acompanhar. O mesmo acontece com as flutuações cambiais, sobretudo no caso das marcas que importam modelos de fora da Europa.
Por exemplo, uma valorização do dólar face ao euro pode encarecer os modelos vindos da China ou dos Estados Unidos. Quando o câmbio estabiliza ou as matérias-primas descem de preço, as marcas têm mais margem para reduzir o valor final.
Outra variável importante é a origem da produção. Montar os carros na Europa (em fábricas como as de França, Espanha ou Alemanha) reduz custos logísticos, taxas de importação e tempos de entrega. Por outro lado, os veículos importados de mercados asiáticos podem estar sujeitos a tarifas adicionais e transporte marítimo, o que encarece o produto final. À medida que mais marcas instalam fábricas europeias, é natural que os preços se tornem mais competitivos.
O ritmo da inovação nos carros elétricos é rápido e isso reflete-se nos preços. Sempre que surge uma nova versão com maior autonomia, carregamento mais rápido ou tecnologia mais avançada, os modelos anteriores tendem a desvalorizar.
É o mesmo que acontece nos smartphones: quando sai o novo, o anterior baixa de preço. Assim, quem não precisa das últimas novidades pode aproveitar boas oportunidades em modelos lançados há apenas um ou dois anos.
Os incentivos estatais também influenciam o preço real pago pelo consumidor. Quando há apoios do Fundo Ambiental ou benefícios fiscais temporários, o mercado tende a reagir e as marcas ajustam os preços para tirar partido da procura acrescida.
É por isso que, antes de comprar, vale a pena confirmar se há novos programas de incentivo previstos ou alterações fiscais no início do ano.
Os carros elétricos são uma das formas mais eficazes de reduzir a pegada ambiental, mas há também pequenos gestos que ajudam a tornar qualquer condução mais sustentável. Veja como diminuir as emissões de CO₂ nos carro.
E se ainda não for o momento certo para comprar um carro elétrico, existem alternativas cada vez mais práticas e económicas, como o carpooling e o carsharing, que ajudam a reduzir custos e emissões no dia a dia.
Embora os preços possam variar entre versões e campanhas locais, a tendência geral mostra uma estabilização dos valores em 2025, com ligeiras descidas previstas para 2026, impulsionadas pela concorrência e pela normalização dos custos das baterias.
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Modelo |
Preço médio 2023 |
Preço médio 2024 |
Preço médio 2025 |
Tendência 2026* |
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Tesla Model 3 |
~49.000 € |
~42.000 € |
~40.500 € |
Estável / possível descida marginal com nova versão europeia |
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Tesla Model Y |
~55.000 € |
~46.500 € |
~45.000 € |
Estável, mas sujeito a campanhas pontuais |
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Renault Mégane E-Tech |
~39.000 € |
~37.000 € |
~36.000 € |
Estável / ligeira descida com incentivos renovados |
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Peugeot e-208 |
~34.000 € |
~32.000 € |
~31.000 € |
Tendência de descida contínua (novas versões 2026) |
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BYD Dolphin |
~29.000 € |
~28.000 € |
~27.500 € |
Estável, mas poderá subir ligeiramente com nova motorização |
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MG4 Electric |
~31.000 € |
~29.500 € |
~28.500 € |
Estável / boas campanhas no início de 2026 |
*Tendências estimadas com base em análises de mercado e atualizações das gamas anunciadas para 2026.
Os valores apresentados são estimativas médias com base em dados recentes do mercado português e campanhas divulgadas pelas marcas. Os preços reais podem variar consoante a versão, opcionais, localização geográfica e incentivos aplicáveis
Os incentivos do Estado continuam a desempenhar um papel relevante na adoção de veículos elétricos em Portugal. Apesar de o Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) não introduzir um novo modelo estrutural de apoio, o Governo reativou o programa de incentivos à compra de elétricos no final de 2025, através do Fundo Ambiental, com efeitos práticos já em 2026.
Este apoio regressa com um orçamento global de 17,6 milhões de euros e candidaturas abertas entre 29 de dezembro de 2025 e 12 de fevereiro de 2026, podendo encerrar antecipadamente caso a dotação disponível se esgote.
Uma das principais novidades é a retroatividade do incentivo, que abrange veículos elétricos adquiridos a partir de 1 de janeiro de 2025, garantindo que quem comprou no início do ano não fica excluído do apoio.
Importa, no entanto, ter em conta que este incentivo não é automático. O apoio atribuído pelo Fundo Ambiental corresponde a 4.000 euros para pessoas singulares e aplica-se apenas a veículos ligeiros 100 % elétricos novos, com:
O que se mantém em vigor:
Independentemente do incentivo direto, continuam em vigor várias vantagens fiscais para quem opta por veículos elétricos, tanto a nível particular como empresarial:
Para acompanhar atualizações e eventuais novos programas de incentivo, é recomendável consultar regularmente o Portal do Fundo Ambiental e a ACAP, que publicam as informações oficiais sobre candidaturas, prazos e dotações anuais.
E se o seu carro elétrico estiver equipado com sistemas de assistência à condução, não se esqueça da importância da calibração ADAS, essencial para garantir que câmaras e sensores funcionam com precisão depois de substituir o para-brisas.