Conduzir muitas horas seguidas, repetir o mesmo trajeto todos os dias, conduzir de noite ou depois de um turno longo… tudo isto aumenta o risco de fadiga ao volante.
Sabia que cerca de 30% dos acidentes rodoviários em Portugal estão associados à sonolência e ao cansaço? O dado é da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) e mostra como este problema continua a ser uma das principais ameaças à segurança na estrada.
É aqui que entra o sensor de fadiga do carro, também chamado detetor de fadiga, um dos sistemas ADAS (Advanced Driver Assistance Systems) que mais discretamente protege quem vai ao volante.

De forma simples, é um sistema eletrónico que “lê” o comportamento do condutor e do veículo para perceber se existe cansaço ou sonolência. Quando deteta sinais de risco, emite alertas visuais e sonoros e sugere uma pausa.
O sistema de deteção de fadiga integra a família ADAS, as ajudas eletrónicas à condução que trabalham para evitar que o acidente aconteça, tão faladas nos nossos artigos. Não conduz pelo condutor, mas funciona como aquele “toque no ombro” na altura certa.
Desde julho de 2022, a União Europeia passou a exigir nos novos modelos homologados um sistema de aviso de sonolência e atenção do condutor (DDR/DDAW); a obrigação foi alargada a novas matrículas a partir de 2024 (Regulamento (UE) 2019/2144). Isto significa que, pouco a pouco, praticamente todos os carros novos vendidos na Europa passam a trazer esta ajuda de série.

Por trás do aviso “faça uma pausa” está um conjunto de sensores e algoritmos que avaliam padrões de condução e sinais do rosto:
Nos sistemas mais recentes, há ainda aprendizagem automática: à medida que o carro conhece o estilo de condução habitual, melhora a precisão para distinguir cansaço de condução mais “desportiva”.
Mas antes de nos debruçarmos sobre a tecnologia, vale a pena perceber porque é que este tema é tão relevante, e os números falam por si.
Em Portugal, a fadiga e a sonolência ao volante continuam a ser uma das principais causas de sinistralidade.
De acordo com um estudo da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), realizado em parceria com a VitalAire em dezembro de 2024, cerca de 30% dos acidentes rodoviários no país estão relacionados com o cansaço extremo. O mesmo inquérito revelou que 9,4% dos condutores já adormeceram ao volante e 33% admitem ter conduzido em estado de sonolência intensa.
Apesar de 80% reconhecerem que conduzir cansado é perigoso, muitos subestimam o risco: quase 1 em cada 5 condutores acredita que consegue conduzir em segurança mesmo fatigado.
Os condutores profissionais, trabalhadores por turnos e os mais jovens estão entre os grupos mais vulneráveis, e o estudo deixa claro que as estratégias mais usadas (como abrir a janela ou beber café) não substituem o descanso real.
O sistema observa o comportamento do volante e combina-o com dados de câmara para estimar o nível de atenção. Trabalha sobretudo entre 60 e 200 km/h (com funções de sonolência a partir de cerca de 20 km/h), mede o tempo desde a última pausa e mostra no painel um “medidor” de atenção. Quando o estado desce, recomenda descanso e até sugere a área de serviço mais próxima. É eficaz em autoestrada, embora fatores como vento lateral forte, piso muito irregular ou óculos escuros possam limitar a leitura dos olhos.
A marca popularizou o aviso da chávena de café. Logo no início da viagem, o carro grava um “perfil” do condutor e, durante o percurso, compara ângulo do volante, uso de pedais e acelerações laterais. Se o padrão se desviar do normal, toca um alarme e recomenda uma pausa; se ignorado, volta a alertar passado algum tempo.
Pioneira na vigilância ao condutor, recorre à câmara para monitorizar olhos e cabeça e também alerta quando há uso excessivo do ecrã ou distração. A filosofia é reduzir o erro humano antes que este se transforme em incidente.
Aposta em Driver Monitoring Camera e Driver Attention Camera, integradas com o assistente de faixa e o cruise control. Se o condutor desvia o olhar por demasiado tempo, o carro avisa e, em certos cenários, reforça a assistência de faixa.
O Driver Attention Alert usa câmara frontal e sensores de direção para detetar desvios suaves de trajetória ao fim de períodos longos, sugerindo descanso com uma notificação simples e direta.
Em todos os casos, estes avisos convivem com outros sistemas complementares, como assistente de faixa de rodagem e a travagem automática de emergência. Juntos, criam uma rede de segurança ativa que atua antes do acidente.
Portugal também tem uma palavra a dizer neste tema. Em 2022, uma equipa de investigadores portugueses apresentou um sistema para detetar fadiga em condutores de pesados, pensado para frotas e longas distâncias. O objetivo é identificar precocemente sinais de sonolência em quem passa muitas horas ao volante de camiões e autocarros e emitir alertas antes dos “microssonos” que tantas vezes antecedem as saídas de via.
Também há inovação portuguesa pensada para todos os condutores. Um bom exemplo é a app iDriveSafe, desenvolvida pela Prevenção Rodoviária Portuguesa em parceria com a startup nacional WingDriver.
A aplicação usa a câmara frontal do smartphone e tecnologia de inteligência artificial para analisar sinais de fadiga e distração (bocejos, piscar de olhos, direção do olhar ou uso do telemóvel) e movimentos bruscos do veículo, através do GPS e do acelerómetro.
Quando identifica comportamentos de risco, emite alertas imediatos e ajuda o condutor a reagir a tempo. É um exemplo claro de como a IA móvel pode democratizar a segurança rodoviária, tornando-a acessível mesmo a quem conduz veículos mais antigos, sem sistemas ADAS de origem.
O sensor de fadiga raramente trabalha sozinho. Cruza dados com a câmara dianteira junto ao para-brisas (a mesma usada para leitura de faixa e sinais), com o radar do cruise control e com o computador de bordo.
É por isso que, sempre que há substituição de para-brisas, reparações ou alinhamentos de câmara, é obrigatória a calibração ADAS para garantir que ângulos e distâncias voltam a ficar perfeitos. Um milímetro fora do sítio pode significar um metro a mais na leitura da faixa, e isso nota-se quando a segurança depende de precisão.
Tudo isto tem um objetivo: reduzir a sinistralidade causada por erro humano, ainda responsável pela esmagadora maioria dos acidentes. Quando a fadiga se instala, o tempo de reação aumenta, a visão de túnel aparece e os “microssonos” podem durar segundos suficientes para atravessar uma via inteira.
A tecnologia ajuda, mas a atenção humana continua a ser a melhor forma de evitar acidentes. A combinação certa entre descanso, condução defensiva e sensores inteligentes faz toda a diferença.
E, se o seu carro já dispõe destes sistemas, vale a pena mantê-lo ativo e garantir que todos os sensores ADAS estão calibrados. Depois de uma substituição de para-brisas ou de qualquer intervenção que mexa na câmara, convém agendar uma calibração ADAS com a Carglass® para que tudo volte a medir com a precisão certa.