Seguro automóvel: o que é, como funciona e como escolher o mais adequado

Entre seguro contra terceiros, danos próprios, franquias, exclusões, assistência em viagem ou quebra de vidros, é normal que surjam dúvidas. Afinal, como funciona o seguro automóvel? E como escolher uma opção que faça sentido para o carro, para o tipo de utilização e para o orçamento?

 

Neste artigo, explicamos-lhe tudo o que precisa de saber: o que é um seguro automóvel, que tipos de cobertura existem, o que influencia o preço e o que convém analisar antes de assinar uma apólice.

O que é um seguro automóvel?

Dois senhores a preencherem documentos após acidente de carro

Um seguro automóvel é, na prática, uma proteção financeira para o carro e para o condutor. Funciona como um acordo entre o proprietário do veículo e uma seguradora: paga-se um valor periódico (o prémio) e, em troca, a seguradora ajuda a suportar os custos se acontecer algum imprevisto, como um acidente ou outro tipo de dano.

 

Ou seja, em vez de suportar sozinho todos os prejuízos, parte desse risco passa para a seguradora, dentro das condições definidas na apólice.

 

Mas atenção: nem todos os seguros oferecem o mesmo nível de proteção. Existe uma cobertura mínima obrigatória por lei e há também coberturas adicionais que podem alargar bastante essa proteção.

 

E é precisamente sobre essas diferenças que vamos falar já de seguida.

O seguro automóvel é obrigatório em Portugal?

Sim. Em Portugal, os veículos a motor e respetivos reboques só podem circular na via pública se tiverem seguro de responsabilidade civil. Esta obrigação resulta do regime do seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 291/2007.

 

O seguro é obrigatório para garantir que, em caso de acidente, existem meios para indemnizar terceiros pelos danos materiais e corporais causados. Sem este mecanismo, a vítima de um acidente poderia ficar sem compensação se o responsável não tivesse capacidade financeira para pagar.

 

E saiba que circular sem seguro pode sair muito caro! O Código da Estrada prevê coimas entre 500 e 2.500 euros para automóveis e motociclos. Além disso, podem existir outras consequências legais, como apreensão do veículo.

 

Quer saber se a sua viatura tem seguro? Leia no nosso artigo.

Como funciona o seguro automóvel?

De forma simples, o condutor paga um prémio, normalmente anual ou fracionado, e a seguradora assume determinados riscos previstos no contrato.

 

Se acontecer um acidente, uma quebra de vidro, um furto ou outro evento coberto, a situação é participada à seguradora. Esta analisa o sinistro e, caso esteja abrangido pela apólice, suporta os custos da reparação ou paga a respetiva indemnização, total ou parcialmente.

 

Ao falar de seguros automóvel, há dois conceitos que surgem frequentemente:

 

 

Por exemplo, imagine que uma reparação custa 1.000 euros e a franquia é de 250 euros. Nesse caso, a seguradora paga 750 euros e o segurado suporta os restantes 250 euros.

Tipos de seguro automóvel

Nem todas as apólices oferecem o mesmo nível de proteção. Resumidamente, existem três grandes níveis que ajudam a perceber melhor o mercado.

 

Tabela comparativa dos tipos de seguro automóvel

Tipo de seguro

O que cobre

Para quem pode fazer mais sentido

Responsabilidade civil

Danos materiais e corporais causados a terceiros

Veículos mais antigos ou com baixo valor comercial

Danos próprios

Inclui responsabilidade civil e várias coberturas sobre o próprio veículo, dependendo da apólice

Veículos usados com algum valor ou condutores que pretendem proteção intermédia

Danos próprios alargados ou “contra todos os riscos”

Proteção mais abrangente, incluindo choque, colisão, capotamento e outras coberturas associadas

Carros novos, recentes ou com valor mais elevado

 

Seguro de responsabilidade civil, ou seguro contra terceiros

É o seguro mínimo obrigatório em Portugal, muitas vezes chamado de seguro contra terceiros.

 

Serve para garantir o pagamento dos danos materiais e corporais causados a outras pessoa\s em caso de acidente. Em Portugal, os capitais mínimos, legalmente exigidos, são atualmente de 6.450.000 euros para danos corporais e 1.300.000 euros para danos materiais.

 

No entanto, é muito importante perceber uma limitação. Este seguro não cobre, regra geral, os danos no próprio carro do condutor responsável pelo acidente, nem eventuais danos sofridos por esse condutor.

 

Por isso, em determinadas situações, muitos condutores optam por coberturas mais completas.

 

Seguro automóvel de danos próprios

seguro automóvel de danos próprios vai além da responsabilidade civil e pode incluir proteção para o próprio veículo.

 

É muitas vezes conhecido como seguro contra todos os riscos, embora essa expressão não seja totalmente rigorosa. Na prática, trata-se de um seguro mais completo, com um conjunto mais alargado de coberturas.

 

Dependendo da seguradora e da modalidade escolhida, pode incluir proteções como:

 

  • Choque, colisão e capotamento
  • Furto ou roubo
  • Incêndio, raio ou explosão
  • Atos de vandalismo
  • Fenómenos naturais
  • Quebra isolada de vidros
  • Assistência em viagem
  • Veículo de substituição.

 

Este tipo de seguro costuma fazer mais sentido para carros mais recentes, com valor comercial ainda relevante, ou para quem utiliza o veículo com muita frequência e quer reduzir o impacto financeiro de um eventual acidente.

Coberturas adicionais do seguro automóvel

Pessoa a fotografar os danos na frente de um automóvel acidentado para avaliação ou participação de sinistro

Mesmo dentro da mesma modalidade de seguro, as apólices podem variar bastante. Muitas vezes, são as coberturas adicionais que fazem a diferença entre um seguro básico e um seguro mais completo.

 

Tudo depende das necessidades do condutor, do tipo de utilização do veículo e do nível de proteção que se pretende.

 

Quebra de vidros

A cobertura de quebra de vidros é uma das mais procuradas. Pode ser muito útil quando o para-brisas, os vidros laterais ou o óculo traseiro sofrem danos sem haver um acidente com terceiro identificado.

 

Nem todas as seguradoras incluem esta proteção de base, por isso convém confirmar se a apólice cobre reparação, substituição ou ambas, e em que condições.

 

Saiba como verificar se tem cobertura de quebra isolada de vidros no seu seguro.

 

Fenómenos naturais

cobertura de fenómenos naturais protege o veículo contra danos provocados por situações como tempestades, inundações, queda de granizo, aluimento de terras ou outros fenómenos semelhantes, dependendo sempre das condições da apólice.

 

Pode ser particularmente útil para quem vive em zonas onde estes episódios são mais frequentes.

 

Assistência em viagem

É uma das coberturas mais valorizadas pelos condutores. Pode incluir serviços como reboque, pequenas reparações no local, transporte de ocupantes, alojamento temporário ou envio de veículo de substituição, dependendo das condições contratadas.

 

Proteção jurídica

A proteção jurídica pode ajudar a suportar despesas relacionadas com processos ou conflitos legais resultantes de um acidente, como custos com advogado ou reclamação de indemnizações.

 

Veículo de substituição

Nem sempre está incluído, e quando existe pode ter limites de dias, carência ou condições específicas. Para quem depende do carro todos os dias, pode fazer bastante diferença.

 

Furto ou roubo

Cobertura que suporta a indemnização em caso de desaparecimento do veículo ou danos causados por tentativa de furto ou roubo, nos termos definidos na apólice.

 

Incêndio

É a cobertura que protege em caso de incêndio, explosão ou, em algumas apólices, queda de raio.

Quanto custa um seguro automóvel?

Esta é, provavelmente, a pergunta mais comum quando se fala de seguros automóvel. E a resposta é simples: depende.

 

Mesmo com carros semelhantes, dois condutores podem receber propostas bastante diferentes. Tal acontece porque as seguradoras calculam o prémio com base numa avaliação de risco.

 

Entre os fatores mais considerados estão a idade e experiência do condutor, o histórico de sinistros, as características do veículo, o local onde o carro circula ou fica estacionado e as coberturas incluídas no seguro.

 

De forma geral, estes elementos costumam pesar mais:

 

  • Idade e experiência do condutor: condutores mais jovens ou com menos anos de carta tendem a pagar mais, porque são vistos pelas seguradoras como perfis de maior risco
  • Histórico de sinistros: quem já teve acidentes ou participou em vários sinistros pode ver o prémio subir. Pelo contrário, um histórico mais limpo pode ajudar a conseguir um valor mais baixo
  • Tipo, valor e potência do veículo: marca, modelo, idade, cilindrada, valor comercial e até o custo de reparação do carro podem influenciar o preço do seguro
  • Local de residência e circulação: viver ou circular em zonas com mais trânsito, maior sinistralidade ou maior risco de furto pode levar a um prémio mais elevado
  • Coberturas escolhidas: quanto mais abrangente for a proteção, mais alto tende a ser o custo. Um seguro com danos próprios e coberturas extra fica, regra geral, mais caro do que um seguro apenas contra terceiros
  • Franquia: a franquia também pesa no preço final. Em regra, uma franquia mais alta ajuda a baixar o prémio, enquanto uma franquia mais baixa tende a encarecer o seguro.

Como escolher seguro automóvel de forma mais acertada

Escolher um seguro automóvel não é apenas comparar preços. À primeira vista, uma proposta mais barata pode parecer a melhor opção, mas nem sempre oferece o nível de proteção necessário.

 

Por isso, antes de tomar uma decisão, vale a pena analisar com alguma atenção as coberturas incluídas, as exclusões e as condições da apólice.

 

Antes de escolher, confirme, por exemplo:

 

  • Se basta um seguro contra terceiros ou se faz sentido optar por danos próprios
  • Que coberturas estão realmente incluídas no seguro
  • Se existe franquia e qual o seu valor
  • Quais são os limites de indemnização
  • Que situações ficam excluídas da cobertura
  • Se a quebra de vidros está incluída
  • Se existe assistência em viagem e o que inclui
  • Se o veículo de substituição pode ser útil no seu dia a dia
  • E compare propostas de diferentes seguradoras.

Qual é a diferença entre seguro contra terceiros e danos próprios?

O seguro contra terceiros cobre os danos causados a outras pessoas e bens. O seguro de danos próprios pode também cobrir danos no próprio veículo seguro, dependendo das coberturas contratadas.